Desplatonizar amores?
Não pretendo concluir nada sobre o amor nesse breve comentário
Faz um tempo que não consigo ou tenho interesse em assistir uma comédia romântica clichê, acho que na maior parte do tempo eu estou fugindo um pouco delas. Elas em algum momento começaram a fazer pouco sentido pra mim, todas que começo parecem meio fora da realidade ou incrivelmente chatas. O que é estranho porque eu sempre amei aquelas que tinham a mesma estrutura, me sentia bem e confortável assistindo. Hoje em dia, as fórmulas que se repete do amor dentro desses filmes me causam desconforto. A muito tempo atrás eu levei para a minha psicóloga que a culpa do meu sofrimento dentro de relações amorosas era inteiramente por causa do filme Crepúsculo (semana passada a culpa do meu sofrimento era a monogamia). Fui assistir esse filme no cinema e percebi um casal que em nenhum momento tinha um único diálogo que não fosse eu te amo e morreria por você. Ok! eu sei que é muito old que essa história é uma merda, mas eu enquanto criança acreditava que o amor era isso ai, incondicional e não precisva de muita construção. Já quando adolescente percebi que isso era baboseira, e ria quando minhas amigas falavam que iam casar com a primeira pessoa que namorassem e teriam um milhão de filhos. Porém, hoje como adulta me vejo às vezes voltando a isso, mesmo que sem pensar, uma expectativa que não é tão grande assim mas que apesar de pequena quando não suprida causa um grande desconforto.
Eu sei que o amor é uma grande incógnita na vida de todo mundo, e que ao longo da vida possui várias roupagens diferentes. O amor romântico talvez seja a mais angustiante e o mais prazerosa das incógnitas, e o grande imaginário de como deve ser, carregado por nós mesmos, talvez seja o que causa mais conflito. De alguma forma o amor platônico e esse discurso sempre arrumam um jeito de se colocar em nossas relações, seja causando confusão em nossa cabecinha ou apenas quando o vemos como “organizador”. Diante disso, comecei a pensar um pouco sobre minhas expectativas em relação às pessoas que me apaixonei e a refletir sobre como certas coisas se repetiam. E percebi que sim, idealizava de algum jeito o amor nessa lógica que precisava ser puro, imutável e até certo nível eterno, apesar que ao mesmo tempo sempre tivesse um estranhamento dessa ideia. Posso dizer que isso se escondia em pequenas expectativas, como por exemplo ficar triste porque certa pessoa não queria ficar perto de mim sempre que tinha oportunidade. Não vou citar outras coisas porque se eu falar vão parecer maiores que são e vocês vão pensar que eu sou maluca (eu sou maluca). Enfim, o ponto é: desplatonizar o amor é uma tarefa difícil, porque se encontra em um imaginário que muitas vezes não fica ali de forma tátil.
Posso ligar essa questão a sensação de estar sempre solitária dentro dessas relações, a maioria das minhas paixões sempre me mostram um lugar de constante frustração e solidão. Eu sei que isso é problemático, acho que é por isso que nunca consegui ter um relacionamento duradouro. Eu sempre me via ali em uma dança junto às minhas próprias expectativas, muito mais do que dançava com aquele que me apaixonava. Assim constantemente retornando ao amor platônico, um amor idealizado que tentava suprir o me sentir sozinha. Hoje percebo que isso nos deixa distante do real encontro com os outros, e por consequência nos angustia porque nunca encontramos o que procuramos. Essa busca por uma estabilidade final, a estabilidade que diz sobre alcançar uma relação ideal, fechando o amor em algo, deixando ele sólido. ECA CRUZ CREDO.
Então vamos lá! Retornando sempre à clássica questão: o que é o amor? Vic me disse que é uma grande baleia e Larissa me disse que Lacan disse que amar é dar o que não se tem para quem não quer. Eu tenho várias respostas a essa pergunta, ao mesmo tempo que não tenho nenhuma, e a cada momento pretendo inventar outras. E me manter assim, sempre diante de uma nova experiência nomeando ele de forma diferente. Desplatonizando o amor e me afastando cada vez mais da solidão no encontro com o outro.
Alguns queridos (Júlio) ficaram preocupados se eu nunca mais ia postar nada por causa daquele último post. EU VOLTEI!!!
amo vcs amigos do meu coração. um xero nos zoi s2 <3



